Entrevista Especial com Raul Sampaio
Entrevista Especial com Raul Sampaio
De Marataízes para a Rede Globo
Por Renata Mofatti
A minissérie “Dalva e Herivelto: Uma Canção de Amor” que estreou no dia 04 de janeiro na Rede Globo se superou e bateu recorde de ibope.
Em cinco capítulos a minissérie abordou a vida conturbada e polêmica dos dois cantores e o amor e ódio que permearam a relação profissional e pessoal do casal. Com o “Trio de Ouro”, inicialmente formado por Dalva de Oliveira e a dupla Preto e Branco foram gravados 99 discos pelas gravadoras Odeon, Victor e Columbia com quase 200 músicas.
Mas o que pouca gente sabe é que um grande artista capixaba teve papel fundamental nas formações seguintes do “Trio de Ouro” após a saída de Dalva. Raul Sampaio, o autor de “Meu Pequeno Cachoeiro” que foi o integrante do Trio, ao lado de Herivelto e Lourdinha Bittencourt, de 1952 a 1978. O Grupo durou até 1993 com grandes vendagens de discos e muito sucesso, onde Raul Sampaio foi o grande destaque e diferentemente de outros músicos, ele não era um boêmio, não bebia, nem fumava.
Raul Sampaio é de Cachoeiro de Itapemirim (Capital Nacional da Crônica) e reside atualmente em Marataízes, onde me recebeu (ele e sua esposa “Morena”) em sua aconchegante residência para me contar um pouco mais sobre o “Trio de Ouro” e seu trabalho como um romântico cantor e compositor.
- Raul, em que é baseada a sua idéia musical?
Antes de ser músico, eu era poeta. Minha idéia musical é baseada no soneto e no Romantismo.
- O ingresso no meio musical era mais fácil nas décadas de 1950 e 1960? Hoje vemos tanta música ruim sendo cantada e valorizada...
Era mais difícil, havia mais disputas. O cidadão que quisesse entrar para o mundo da música teria que passar por inúmeras avaliações. Antigamente, o artista entrava num estúdio de gravação enorme, que recebia grande número de músicos e orquestras. O meio artístico era sofisticado. Hoje qualquer porcaria faz sucesso. Não há mais uma seleção, nem exigência.
- O senhor citaria o nome de cantores e compositores de grande valor atualmente.
Não presto atenção nas músicas atuais, mas deve ter algo de bom por aí, como Ana Carolina e Jorge Vercilo. Na Rádio AM quase não se toca mais música, na FM só toca o que não me agrada. Na TV assistimos Ivete Sangalo pulando igual uma cabrita (risos), numa manifestação rítmica que de música não tem nada. Há um grande esgotamento.
- Na época do Romantismo do Trio de Ouro havia muitas letras de ingenuidade?
Nem sempre (risos), afinal não se pode confundir Romantismo com ingenuidade. Muita coisa era proibida na época. Tinha tanta letra sem vergonha (risos). Ari Barroso, por exemplo, cantava: “eu dei... eu dei... o que foi que você deu meu bem?” Isso era quase um absurdo (risos).
- O que valoriza a música é uma letra bem feita?
Um texto bem escrito tem o seu valor. Atualmente, são poucos os capazes de fazer música de qualidade. Um verso bem feito “chama” a música e torna as canções mais bonitas.
- Na sua época de carreira solo e na época do Trio de Ouro o senhor teve o reconhecimento da terra natal: Cachoeiro de Itapemirim?
Só o fato de terem transformado a música “Meu Pequeno Cachoeiro” em Hino da cidade ultrapassou tudo o que eu podia esperar de Cachoeiro. Isso é reconhecimento!
FOTOS:
Foto 01 - Raul compôs 230 músicas gravadas por mais de 400 artistas.

Foto 02 - Numa tarde muito agradável Raul me presenteou cantando “ao vivo” a canção “Meu Pequeno Cachoeiro” e pousou para a foto perguntando em tom de brincadeira: somos o Trio de Ouro?